Ele tem alguns anos de trabalho firme em uma empresa bancária. Tem a confiança de todos os funcionários. Tem segurança, tem jogo de cintura. Além de anos de trabalho, também havia estudado economia em Milão e auxiliado em várias transações bancárias em Roma. É um homem de negócios. Tem postura. Nunca errou em nenhum de seus palpites, nunca deixou as coisas saírem do controle em seu setor. Era a galinha de ovos de ouro, da Agência Bancária Harriet. Ele é Buddy Wilson. O nome mais admirado em toda Newport. Todo e qualquer empresário que deseje sucesso em seus negócios, tem por obrigação, procurar Buddy.Todo fim de tarde, Buddy saia da Agência, ia a um restaurante, como de costume, jantar, para depois ir à sua casa. Ele não cozinhava. Era cliente assíduo dos restaurantes e bares de Newport. Na verdade, evitava o máximo que podia, ir até sua casa. Às vezes, passava as noites andando por cada rua da cidade, colocando os negócios em linha tênue, controlando tudo, mesmo não estando em período de trabalho. Ele é focado demais no que faz. Sua família, pai e mãe somente, não tem irmãos, moram em Nápoles. Buddy sempre foi afastado da família. Quando mudou-se para Newport, a intenção principal era a distância da cidade italiana dos pais. É um homem que está bem sozinho. Não porque não encontrava mulheres que o satisfaziam, mas por escolha. Ele não queria dividir nada seu, com ninguém. Nem mesmo sentimentos. Por muitos, ele era tido como egocêntrico demais. Mas essa definição passa longe do que Buddy é. Ele se envolve em seus negócios como se fossem seus filhos. Há uma troca de sentimentos constante em cada negociação que ocorre. Ele é seguro. Mora sozinho desde quando chegou ao país e mantém tudo sob controle.Havia dentro de Buddy, algo que ele temia. Algo que ele evitava. Algo do que ele corria. Corria todas as vezes que os caminhos o levavam até aquilo. Havia algo que amedrontava Buddy, mas não era pouco. Ele conhecia todas as pessoas da cidade, desde as mais importantes até as menos relevantes. Mas não considerava que tinha amigos. Não contava nada de seus negócios, de sua vida, de seu passado, de sua família, à ninguém. Era um túmulo ambulante em ação.Naquele dia, Buddy estava assustado. Tinha terminado seu dia de trabalho e não pediu a seu motorista que o levasse até a algum restaurante. Pegou seu carro e foi até sua casa. Isso era um alerta mortal de que algo ia muito mal. Buddy nunca ia até sua casa. Em hipótese alguma. Não antes de andar por todas as ruas de Newport, sentir-se entediado e querer entrar pela porta de seu imóvel, apenas esperando as poucas horas que faltavam para retornar para a Agência. Mas naquele dia ele havia ido direto para casa. Era fim de noite. Não havia bebido nada. Não estava em seu estado normal. Qualquer pessoa da convivência de Buddy que o visse naquela situação de tranquilidade constante em seu imóvel, saberia que algo ia mal, aliás, muito mal. Assim que chegou em casa, parou em frente a lareira. Não a acendeu. Ficou lá por algumas horas. Em pé. Imóvel. Quando decidiu sair. Ninguém sabia para onde ele estava indo. Ninguém poderia dizer para onde Buddy estava indo aquela hora da noite, mas ele estava indo. E com certeza, não voltaria enquanto não abafasse aquilo que o estava intrigando.