domingo, 21 de outubro de 2012

Capítulo II - Velhas lembranças

Se passaram alguns anos, desde que Marilyn e Kate se encontraram. Mãe e filha. Ambas estavam distantes. Charlie, o pai de Kate, havia sido assassinado no último natal. Na verdade, Kate sempre teve dúvidas de porquê, a todo natal, algo estranho acontecia em sua família, mas sua mãe sempre procurava portas, para  esconder essa história. Kate era ainda uma criança, quando decidiu ir embora de casa. Marilyn não insistiu para que a filha ficasse e isso a intrigava bastante. Da última vez que se viram, estavam acabadas, destruídas. Marilyn sempre preocupada em passar a imagem de mãe tranquila que sabia o que estava acontecendo e Kate sempre com um ar muito grande, de desconfiança, pois sua mãe estava ótima, mesmo tendo sido recentemente o assassinato de seu pai. Kate decidiu partir. Não pegou muitas coisas naquela noite fria, apenas um pouco menos que o básico. Sua mãe, não insistiu para que ficasse. Na verdade, não fez sequer um pedido, um mísero pedido, para que sua filha não partisse.
O que preocupava Kate nesse momento, era saber se sua mãe estava bem. Mesmo depois de tantos anos, será que ainda se lembrava da existência da filha? Será que ainda se lembrava que seu marido foi assassinado brutalmente em uma noite de natal? Kate precisava de respostas. Mas nunca quis voltar para procurar a mãe. Naquela noite, após se encontrar com Jade, ela sentiu fortemente no fundo de sua alma, uma necessidade absurda de encontrar Marilyn. Precisava abrir aquele envelope, junto àquela que a colocara no mundo. Essa sensação, ficou apenas por alguns segundos. Kate não poderia buscar sua mãe naquele momento. Não naquelas condições. Ela tinha somente uma noite, para resolver tudo que havia acontecido nos dias anteriores e partir de Newport, antes que algo viesse à tona. Ela tinha somente aquele fim de noite, para decidir como seria dali em diante, ela não tinha muito tempo, mas acreditava que tinha. Parou de pensar na mãe e começou a se perguntar, porque as coisas se opuseram tão rapidamente assim em sua vida. No começo tinha preferido ficar sóbria para decidir o que fazer. Mas depois de pensar tanto em sua vida, em sua mãe e na fazenda em que moravam no interior de Arizona, precisava de alguma bebida que a mantivesse acordada durante toda a noite.



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